top of page
06.03.2022 20.48_edited.jpg
Inspiração: Imagem

O QUE NOS INSPIRA?

Vem descobrir a criatividade pré-histórica que só a Arqueologia revela.

AirBrush_20220413151049_edited_edited_edited.jpg

PLACAS DE XISTO

As placas, também denominadas “ídolos-placa” ou “placas de xisto” (ainda que o xisto não seja o único suporte em que ocorrem), são peças arqueológicas características das últimas fases do período Neolítico e do Calcolítico do sul peninsular, mais concretamente do território atualmente alentejano e estremenho.

Existem, assim, no registo arqueológico da Península Ibérica desde o 4.º milénio a.n.e., com várias tipologias distintas. De uma forma geral, as placas são decoradas com motivos lineares incisos, mais ou menos geométricos, podendo apresentar o “motivo oculado” (i.e., dois grandes olhos, raiados ou não). Por vezes, é também na preparação da placa, previamente à gravação, que esta era dotada de traços antropomórficos: quando a sua morfologia, geralmente trapezoidal, é rasgada por “ombros”, mais ou menos acentuados.

Foto: Placas de Xisto em exposição no Museu Arqueológico Nacional de Madrid, Fotografia de André L. Pereira, 2022.

AirBrush_20220425121318.jpg

BÁCULOS

Os "báculos" são outro elemento da cultura material caracterizadora dos finais do Neolítico e do Calcolítico Inicial do sudoeste peninsular. O seu nome deriva da semelhança com os báculos episcopais cristãos e demonstra, tal como outros artefactos agregados na grande denominação de “ídolos”, a própria historiografia da Arqueologia portuguesa.

 

Estes objetos provêm de contextos funerários megalíticos do território português, apresentando uma distribuição geográfica em tudo semelhante à das placas de xisto, com as quais aliás coexistem em vários sítios arqueológicos. Os “báculos”, são, contudo, muito mais raros do que as placas, já que se contabilizam apenas cerca de cinquenta báculos para milhares de placas identificadas. Mas, tal como as placas, os “báculos” não ocorrem apenas em xisto, existindo peças com morfologias, tamanhos e decorações semelhantes noutros tipos pétreos, em osso e ainda em marfim. Têm sido também identificadas representações de “báculos” na arte rupestre, gravadas ou pintadas, bem como em menires e em alguns recipientes cerâmicos.

 

Desconhece-se o verdadeiro significado destas peças, mas o seu valor simbólico tem sido tradicionalmente equacionado com “símbolos de poder e prestígio” das comunidades agropastoris a sul do rio Tejo nas últimas fases do 4.º milénio a.n.e.. Outros autores sugerem também a sua relação com “cultos de vida”, e outros uma função prática.

Foto: "Báculo" decorado da Anta 4 da Herdade das Antas, Montemor-o-Novo (Évora), Fotografia de MNA/António Ventura, in Bueno Ramírez, P. & Soler Díaz, J. (coord.) (2021) Ídolos. Olhares Milenares. O Estado da Arte em Portugal. Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

AirBrush_20220423144234_edited.jpg

FIGURINHAS NATURALISTAS

As figurinhas naturalistas do 3.º milénio a.n.e. são pequenas estatuetas em osso, calcário e marfim que ocorrem tanto em contextos funerários como domésticos. O seu nome deriva do seu elevado grau de semelhança ao corpo humano, característica que contrasta com outros tipos de representação antropomórfica do mesmo período, de características marcadamente esquemáticas.


Em termos interpretativos, têm sido equacionados com expressões divinas da religiosidade das comunidades agropastoris calcolíticas, cultos dos antepassados e expressões identitárias e de poder ou estatuto, evidenciadas quer pelo objeto (possivelmente um bastão) que por vezes se representa nas mãos de algumas figurinhas naturalistas, quer pelas matérias-primas exógenas (como o marfim) em que por vezes ocorrem, ou ainda pela postura canónica e formal do corpo.

Foto (da direita para a esquerda): Figurinhas naturalistas de Llerena (Badajoz) e do sítio arqueológico dos Perdigões (Reguengos de Monsaraz, Évora), na exposição Ídolos - Olhares Milenares, Lisboa 2021, Fotografia de André L. Pereira.

AirBrush_20220413150924.jpg

OUTROS "ÍDOLOS"

Ao longo da história da Arqueologia Peninsular, tem sido frequente dar a designação de “ídolos” a objetos com morfologias ou decorações antropomórficas, zoomórficas, e outras temáticas representacionais, cuja função é, com frequência, uma incógnita no presente. Esta designação é utilizada para objetos de diferentes cronologias, da Pré-história à contemporaneidade.

Contudo, muitas das nossas peças são marcadamente influenciadas por “ídolos” calcolíticos além das placas, dos “báculos” e das figurinhas naturalistas. Entre estes outros “ídolos”, destacam-se os planos, os de falanges e os em ossos longos, ainda que se conheçam muitas outras tipologias. Em todos os casos, correspondem a elementos pétreos ou de origem animal, afeiçoados e com motivos geométricos gravados, predominando o “motivo oculado”, composto por dois grandes olhos e incisões tradicionalmente interpretadas como “tatuagens faciais”.

 

Foto: “Ídolos” em ossos longos expostos no Museu Arqueológico Nacional de Madrid. Fotografia de André L. Pereira, 2022.

AirBrush_20220413151338.jpg

DECORAÇÕES CERÂMICAS

É comum, desde a criação dos primeiros objetos cerâmicos, adornar as suas superfícies externas e internas com diferentes motivos, com o propósito de chamar, informar, lembrar, ou, simplesmente, decorar. As decorações cerâmicas acarretam algum peso informativo e implicam aspetos culturais (e não só) das comunidades a que pertenciam.

 

Os diferentes estilos e motivos caracterizadores de várias fases da pré-história peninsular inspiram-nos, hoje, na criação e decoração de diferentes peças que ficarão disponíveis na nossa loja.

Foto: Vasos campaniformes em exposição no Museu Arqueológico Nacional de Madrid, Fotografia de André L. Pereira, 2022.

AirBrush_20220424130148_edited.jpg

ARTE RUPESTRE

Consiste na representação, através de pintura e/ou gravura inscrita sobre superfícies rochosas e ocorrem desde a pré-história aos dias de hoje. A arte rupestre mais antiga no território europeu data do Paleolítico Médio (c. 100 000 a 35 000 a.n.e.) e encontramos na Península Ibérica alguns dos maiores núcleos de arte deste tipo. São as grutas que melhor preservam a pintura paleolítica, como em Altamira (Espanha), mas amplas áreas rochosas ao ar livre foram também extensamente gravadas, de que é exemplo o incrível complexo de arte do Vale do Côa (Portugal). A arte paleolítica era sobretudo zoomórfica, com a representação detalhada de vários animais, ainda que em frequente associação com outros elementos.

 

Muito mais tarde, em alguns momentos avançados do Neolítico e do Calcolítico (c. 3.º milénio a.n.e.), a arte rupestre ocorre em grutas, abrigos sob rocha, esteios de monumentos megalíticos e noutros núcleos rochosos. Caracteriza-se pelos motivos geométricos e esquemáticos, com um corpus antropomórfico, zoomórfico e “idoliforme”, frequentemente de difícil interpretação. As técnicas empregues permanecem a gravação, através de ferramentas líticas, e a pintura, esta frequentemente de tonalidades vermelhas, conseguidas com ocre e/ou cinábrio.

 

Já na Idade do Bronze (c. 2500-1500 a.n.e.), espaços rochosos semelhantes (por vezes os mesmos!) são gravados com formas geométricas e antropomórficas, com a técnica da picotagem e abrasão. No período seguinte (Idade do Ferro), permanecem os motivos geométricos, motivos antropomórficos, zoomórficos e objetos como armas e outros motivos esquemáticos, assim como em alguns casos a representação de escrita, por exemplo, com o alfabeto grego (Rocha 23 de Vale da Casa, Vale do Côa).

 

Foto: Antropomorfo e “serpentiforme” do Ribeiro das Casas (Malhada Sorda, Almeida). Fotografia por André L. Pereira, 2021.

Inspiração: Inspiração

©2022 por idolarte. Orgulhosamente criado com Wix.com

bottom of page